domingo, 31 de janeiro de 2016

VIDA DE BÊBADO (poema)

                                                                                                    Alevilson da Silva Tavares¹

Bêbado que bebe só
É sofrido, maltratado, isolado
Mostra ou se amostra?
Mostra o que não quer
Se amostra quando não pede ajuda
Complica, implica, aplica
Um golpe em si mesmo
No passado tenta voltar
Apagar, ilustrar, anular
Faz conexão, com a mão, com pé
Com o riso, o choro, o abraço
Busca coragem, amizade
Foge da saudade, rivalidade
Consigo, contigo, com o outro
Tem, tem. Tem
Tem, tem. tem
Tem...
Tem bêbedo que bebe por elegância
Outros por ganância, arrogância.
 Infância não amadurecida
Fica empobrecida, mal resolvida
Tem bêbado que bebe sozinho
No canto, lá no fundo do bar
A mesa fica grande de olhos abertos
E minúscula quando baixa a cabeça.
Fecha os olhos e se apoia em si mesmo
Tem bêbado que é tão sozinho
Que não bebe sozinho
Só pensa no grupo e com ajuda do grupo
Atua com profissionalismo
Cria profissionais, é um exímio profissional
Controla, direciona e aciona mentes
Enquanto a sua é seca, mórbida, presa.
Presa no vazio que inquieta, aquieta-o no álcool
Mas esses são bem quistos, vistos
São bem queridos. Mas são isolados
E precisam de ajuda
De alguém que pense o problema
sob uma ótica de fora, ampla
Ah!  Que tem!
Tem bêbado ex-presidente
Descontente, aparente, dormente
Um bêbado que explora o mundo dos outros
Viaja muito tentando aproximar
Acoplar, direcionar, alavancar
Discursa pra muitos
Multidões, nações
Mas não mantem um diálogo consigo mesmo.
Mas que coisa!
Tem tanta coisa ao seu dispor
Mas não consegue se preencher
Pois o vazio nunca foi e nunca será
Preenchido pelo álcool
Entenderam? Bêbados de meu Brasil?
Existe escape para vocês!

Jesus!

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¹ Diácono (Assembleia de Deus), Pedagogo, Biólogo, Bacharel em Teologia, Especialista em Educação Ambiental e professor na rede pública e particular de ensino nas modalidades:   fundamental e médio.